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Testemunho da Carolina: “O Carmelo é que nos escolhe a nós”

“O Carmelo é que nos escolhe a nós”

Antes de conhecer o Monasterio de Nuestra Señora de la Sierra (em Hornachuelos), tinha feito uma experiência de convento nas Irmãs Adoradoras de Cristo, perto de Florença. Essas Irmãs têm uma vida semi contemplativa, dão apoio na paróquia, dão catequese, e têm também uma vida de oração silenciosa. Mas em Outubro do ano passado fui visitar o Carmelo de San Calixto, perto de Córdoba. Curiosamente estive lá apenas dois dias, não estive muito com as Irmãs, e nem pensava em lá voltar. Foi no regresso que percebi que o meu coração tinha ficado no sul de Espanha. Nesse momento percebi que ali estava a minha casa. Essa foi a última peça do puzzle que me faltava: perceber o chamamento de Deus para estar naquele lugar. E escolhi então a Ordem do Carmo, mais especificamente as Carmelitas Descalças (que não andam descalças!), no Carmelo de San Calixto.

Não se percebe porque é que se escolhe o Carmelo, porque a verdade é que o Carmelo é que nos escolhe a nós. Há o discernimento da vocação, que é feito com Deus, entre uma vida mais apostólica ou uma vocação mais contemplativa. Mas depois há todo o resto! A mim o Carmelo conquistou-me. E conquistou-me por inúmeras razões. Por um lado pela minha devoção já antiga a Sta. Teresa d’Ávila, mas também pelo Escapulário, que eu uso com devoção há vários anos. Sentia-me já parte da família da Ordem do Carmo. Mas as devoções não bastam! Ao entrar no Carmelo, Santa Teresinha do Menino Jesus percebeu que ali, nas Irmãs contemplativas, estava o coração da Igreja. E é ali que encontra o seu lugar. A verdade é que as Irmãs contemplativas são o pulmão da Igreja, e a Igreja é o pulmão da humanidade. Estou certa de que se as Irmãs não oferecessem a sua vida, a Igreja não seria capaz de se sustentar.

E há também o desejo dos votos da castidade, da pobreza e da obediência. Encaro os três como dons de mim mesma que ofereço. O dom da castidade está ligado ao amor esponsal e somos todos chamados a vivê-lo. Mas o voto da castidade irá permitir-me ter uma família numerosa, porque ganharei muitos filhos espirituais. A pobreza é algo tão bom porque desprende-nos muito. A pobreza ajuda a que nos centremos no essencial, a que tenhamos os nossos apetites ordenados, e a não sermos possuídos pelas coisas. O voto de pobreza torna-nos mais humanos e mais livres. A obediência só se compreende oferecendo a nossa liberdade. Para mim, a liberdade é a conjugação da minha vontade com a vontade de Deus. O voto de obediência permite isto mesmo, permite juntar estas vontades – e a minha vontade só é real quando unida à vontade daquele que me ama e me criou, porque Ele é quem sabe mais. A vida contemplativa é uma vida árdua, mas não creio que as dificuldades se encontrem nestes três votos. O desafio passa-se a nível interior, passa-se na alma. O centro desta é a procura constante de nos encontrarmos com a Santíssima Trindade. O caminho carmelita é essa procura. O caminho é árduo, mas a entrega é feita por Amor. E que bom poder passar o dia todo junto do meu Amado. Sou uma sortuda!

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