Sem sacerdote não há Eucaristia. Sem Eucaristia não há Igreja.

Texto do originalmente publicado em 2016, a propósito da Ordenação Sacerdotal dos Diáconos Marcos Martins e Tiago Fonseca. Republicado a 12 de junho de 2020 quando se preparam as Ordenações Sacerdotais dos Diáconos Artur Delgado, Mendo Ataíde e Tomás Castel-Branco.

Os sacerdotes, pelo sacramento da ordem, são a presença visível da missão confiada por Cristo aos Apóstolos, na sua união ao bispo. No ministério sacerdotal, é o próprio Cristo que está presente, como Cabeça do Seu corpo e, como tal, o padre age na pessoa de Cristo Cabeça. O sacerdote, agindo in persona Christi Capitis, exerce, em primeiro lugar, o seu ministério no oferecimento do sacrifício salvador de Jesus que se concretiza no sacramento da Eucaristia: “A Eucaristia é a plenitude do ministério sacerdotal pois tudo para ela converge, tudo tem nela a sua fonte (…)”[1].

Jesus, que se ofereceu por nós na Cruz, por meio dessa entrega, salvou-nos do pecado que impedia a relação plena com Deus e, deste modo, fez-nos voltar a uma relação de intimidade com Ele abrindo a possibilidade de com Ele vivermos para a eternidade e, consequentemente, sermos plenamente felizes. É Jesus quem oferece a vida: “Ninguém ma tira [a vida], mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar. Tal é o encargo que recebi de meu Pai”[2] e, como tal, Ele próprio é quem realiza o sacrifico, assim como, simultaneamente, a vítima do mesmo. Não se pode separar a Santíssima Eucaristia da Paixão de Jesus e da Sua redenção pois esta é a acção eficaz de Jesus que, por meio do sacerdote, torna actual esse mesmo sacrifício de salvação.

O sacerdote, ao celebrar o sacramento da Eucaristia, agindo na pessoa de Cristo Cabeça, oferece-se a si mesmo enquanto oferente e vítima pela redenção. O sacerdote no altar é sempre Cristo na Cruz. Ele age também em nome e em favor de toda a Igreja ao oferecer o sacrifício eucarístico. “Ir à Missa significa ir ao Calvário para nos encontrarmos com Ele, nosso Redentor.”[3]. “A Eucaristia é a plenitude É possível concluir que sem o sacerdote não há Eucaristia pois, apenas ele, agindo na pessoa de Cristo Cabeça, em nome e em favor da Igreja, por vontade do próprio Deus, pode oferecer este sacrifício de salvação.

João Paulo II, na sua carta encíclica A Igreja vive da Eucaristia, aborda a Eucaristia na sua relação com a Igreja: “A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja.”[4]. A razão pela qual A Igreja depende da Eucaristia para subsistir é o facto de a Igreja nascer do mistério pascal e, como tal, a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da Igreja.[5]

Tomás Castel-Branco

 

[1] José Policarpo, Cardeal-Patriarca, Introdução à Assembleia do Presbitério de Lisboa, Santuário de Fátima, 28 de Janeiro de 2009.

[2] Jo 10, 18.

[3] João Paulo II, Discurso aos Jovens e crianças de associações e paróquias Italianas, 8 de Novembro de 1978.

[4] João Paulo II, A Igreja vive da Eucaristia, Paulinas, Lisboa, 2003, §1.

[5] Cf, §3.

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