Palavra de Deus

Evangelho Dominical

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem». 

Palavra da salvação. 

(I Domingo do Advento)

Leituras diárias da Missa

Em desenvolvimento.

Evangelho do Ano

Introdução ao Evangelista São Lucas

 

O plano e o estilo do Evangelho de São Lucas

O Evangelho de São Lucas começa com o prólogo (1,1-4) que expõe a intenção do Evangelista e por outro o seu método e intenção profunda. Depois relata os acontecimentos que rodeiam os nascimentos de João Baptista e de Jesus (1,5 – 2,52) e   com o relato da actividade de São João Baptista e o início da missão de Jesus (3,1-13).

São Lucas divide a Vida de Jesus em três grandes períodos: o seu ministério na Galileia (3, 14 – 9,50); a sua acção, ensino e curas no caminho que conduz a Jerusalém (9,51 – 19,27) e finalmente a actividade em Jerusalém: o Seu último ensino no templo, a Sua paixão, morte, ressurreição e ascensão aos céus (19, 28 -24,53).

 

 A língua

A língua usada por São Lucas é a Koiné, ou seja o grego da época helenística e romana, a meio caminho entre a prosa “ática” e o grego moderno.

 

O Género literário e a intenção

São Lucas mostra um grande interesse pela história, mas o Evangelho não é uma obra de natureza didáctica. São Lucas quer evangelizar mais do que informar. Não pretende relatar nem a história de um povo, nem de uma cidade,  quer mostrar como Deus, por meio de Seu Filho, realizou o acto decisivo da nossa salvação e como se estendeu esta notícia por meio daqueles que foram as suas testemunhas com ajuda do Espírito Santo.

 

As fontes

São Lucas dispõe de fontes escritas, de diversos materiais e de numerosas informações. Apoia-se particularmente nas obras dos seus predecessores, como diz (Lc 1,1), mas reelabora-as e incorpora-as na sua própria composição até ao ponto de não se reconhecerem como tais.

 

O autor

São Lucas é o autor do terceiro Evangelho e dos Actos dos Apóstolos. Assim ficou na memória da Igreja. As formulações mais antigas que possuímos do título nos manuscritos tanto no início como no fim dos manuscritos, datam dos finais do século II.

 

A Teologia

Deus é o criador e Redentor de Israel. Desde a eternidade que realiza o Seu desígnio de salvação a que o seu povo se opõe mais que uma vez. A acção de Jesus Cristo é o último e definitivo gesto de Deus misericordioso para salvar e Israel e chegar também aos pagãos. Tudo o que Jesus Cristo realizou como Messias, Filho, Senhor, Salvador, Mestre e Médico, realizou-o definitivamente para o Povo de Deus e para todas as nações. Ainda que os cristãos provenham de todas as nações e não se submetam à letra da lei de Israel, particularmente em suas prescrições rituais, estes não renegam a herança de Israel. Pelo contrário os cristãos pretendem ser os interpretes autênticos e legítimos da Escritura. As figuras principais são Pedro e Paulo e o seu horizonte eclesial está na área onde a fé cristã conseguirá prontamente o seu desenvolvimento mais impressionante.

 

O Evangelho da infância, em São Lucas

Leitura e meditação do texto do Evangelho da Infância (Lc 1,5 – 2,52) nas Quartas-feiras, dias 7 e 14 de Novembro, das 21h00 às 22h00, na Capela de Adoração, com participação na Missa das 22h na Igreja de São Nicolau.

Lectio Divina

A Leitura orante da Palavra de Deus

 

Na sua origem, a Lectio Divina é a leitura feita da Palavra de Deus, para alimento da  fé, esperança e caridade. O católico acolhe a Palavra como a água que provém da fonte. Esta leitura orante está presente na tradição do Povo de Deus, feita pelo povo bíblico e que as palavras do próprio Jesus reforçam; O Espírito recordar-vos-á tudo o que vos disse e introduzir-vos-á na verdade plena (Jo 14, 26; 16, 13).

A expressão Lectio Divina vem de Orígenes (185-254), quando diz que, para ler a Bíblia com proveito, é necessário um esforço de atenção, de assiduidade e de oração, a fim de compreendermos as coisas divinas e experimentarmos o que esperamos e meditamos. 

Os movimentos monásticos fizeram da leitura da Bíblia a sua espinha dorsal. Mas foi só por meados do séc. XII que o monge cartuxo Guigo fez a sua sistematização no livro A Escada dos Monges, tomando a imagem bíblica da escada de Jacob (Gén 28, 12ss). Essa escada tem 4 degraus:  a leitura, a meditação, a oração e a contemplação. É por essa escada que os monges sobem da terra ao céu e Deus se relaciona com eles. 

Na Dei Verbum o Concílio Vaticano II recomenda com grande insistência a Lectio Divina . Também o Catecismo da Igreja Católica (n° 1177 e 2708) a recomenda como método de oração, para chegar ao conhecimento amoroso de Jesus Cristo e à união com Ele. Também João Paulo II a propôs como preparação para o grande Jubileu (TMA 40). Os carmelitas propõem-na como método de oração a ensinar aos noviços. Alguns autores carmelitas tornam-na acessível a todos os cristãos. 

Pela Lectio Divina procuramos atingir as recomendações expressas na própria Bíblia: A Palavra está muito perto de ti: na tua boca e no teu coração, para que a ponhas em prática (Dt  30, 14; ef 2 Tm 3, 1S17; Rm 15, 4; 1 Co 10, 6-10). Ela assenta nos princípios da unidade da Escritura, da actualidade e encarnação da Palavra de Deus e da fé em Jesus Cristo, vivo no meio do seu Povo 

Os quatro degraus da Lectio Divina, segundo Guigo, o cartuxo: 

  • A leitura como primeiro degrau: conhecer, ler, analisar e situar o texto no contexto da sua origem, usando todos os critérios de leitura: literário, histórico e teológico (DV 12), a partir das conhecidas perguntas: quem fala, o quê, onde, porquê, quando, como, com que meios, em que contexto, em que situação (económica, social, política, ideológica, antropológica, etc.), para quê e com que resultado? Ajuda a encontrar respostas a estas questões a busca de textos paralelos e análogos dentro da Bíblia. Escusado é dizer que a leitura deve ser preparada com um exercício da presença de Deus ou invocação do Espírito Santo. 
  • A meditação como segundo passo: ruminar, dialogar, actualizar a Palavra. Que me diz o texto a mim e ao Povo de Deus, hoje? Trazer o texto para dentro da nossa vida e da nossa realidade, pessoal e comunitária, a exemplo de Maria, que meditava as palavras no seu coração (Lc 2, 19.S1; cf. Hb 4, 12-13; Is. 26,8; Fl 2, S). 
  • A oração como terceiro passo: suplicar, pedir perdão, louvar, agradecer, recitar, celebrar. O que nos faz dizer a Deus o texto lido e meditado? Como Maria, abrimo-nos à Palavra de Deus: Como será isso, se não conheço o homem…Faça-se em mim segundo a vossa palavra (Lc 1, 38). Até chegar à experiência do Espírito, que ora em nós (Rm 8, 26). Por vezes será com a oração dos salmos ou outra oração litúrgica a melhor maneira de respondermos à Palavra de Deus. Pela oração é criado o espaço onde a Palavra de Deus realiza o que diz, traz o que anuncia, comunica a força e revigora o orante para o caminho. Nela Cristo vence as tentações (cf. Mt 4, 1-1 1). Na oração dialogamos com Deus que nos ama actualizando a nossa história de amizade com Deus,
  • A contemplação como quarto passo: enxergar, saborear, ver com os olhos de Deus, iluminados pela luz da sua Palavra, para agir como Cristo. Até chegarmos a este degrau temos um longo caminho a percorrer (cf. 1 Rs 19, 7). Na contemplação, Deus antecipa algo da alegria que preparou para aqueles que O amam (1 Co 2, 9;13, 12;Jo 16, 22). 

 

A Lectio Divina leva-nos a discernir a vontade de Deus, toma-nos sensíveis à Palavra, fortalece-nos para a acção e envolve-nos em todos os nossos sentidos. Este método de oração pretende levar o orante a uma maior identificação com Cristo, como diz S. Paulo: considerei tudo como lixo, para ganhar a Cristo e ser incorporado n ‘Ele (Fil 3, 9) ou: já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim (Gal 2, 20). 

 

A proposta da Lectio Divina em São Nicolau

Nas Quartas-feiras antes dos Domingos do Ciclo de Natal e do ciclo Pascal faremos a proposta deste exercício orante, a partir da leitura do Evangelho do Domingo seguinte. Será entre as 21h00 e as 22h00, na capela de adoração, da Igreja de São Nicolau terminando com a participação na Missa das 22h00 na Igreja de São Nicolau.

@ 2018 | Paróquia de São Nicolau.

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