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Igreja de Santa Maria Madalena

Padroeira

Pecadora convertida de quem Jesus expulsara demónios, e depois sua fiel discípula, Maria Madalena é a primeira testemunha e anunciadora da ressurreição do Mestre. Com algumas incertezas sobre esta figura de discípula de Jesus, a tradição identifica-a, considerando-as uma mesma pessoa, ora com a pecadora que é perdoada porque muito amou, lavando e enxugando os pés a Jesus, ora com Maria irmã de Marta e de Lázaro. Depois de convertida, Maria Madalena permaneceu fiel, sendo uma das poucas presentes junto à Cruz de Jesus, cuidando da sua sepultura e adorando-O depois de ressuscitado. Maria Madalena é, por isso, para os cristãos, modelo de conversão, de fidelidade e de testemunho.

História

A Igreja de Santa Maria Madalena foi fundada logo a seguir à reconquista cristã de Lisboa, às portas da Cerca Moura, datando de 1164 o primeiro testemunho a ela relativo. Ao longo dos séculos foi recebendo várias campanhas de obras, em 1262, 1372 e 1692. Quase totalmente destruída pelo Terramoto de 1755, pouco mais se tendo salvado além da sacristia, a sua reedificação começou em 1761, sendo aberta ao culto em 1783, apesar de as intervenções decorativas terem continuado ainda por mais duas décadas. Embora com dimensões mais reduzidas, a igreja foi reedificada mantendo a anterior orientação e localização.

Património

O portal no exterior da Igreja não há certezas sobre a sua origem, permanecem três possibilidades. As duas primeiras remetem para a identificação do portal como genuinamente manuelino (da igreja destruída ou da Conceição dos Freires). A terceira, baseada na análise material, supõe que seja um revivalismo neomanuelino, fabricado de novo durante a reedificação da igreja.

Na nave o tecto ostenta pinturas emolduradas por talha dourada e pintada, com alegorias da Igreja e, nos medalhões laterais, os Apóstolos, obras da escola de Pedro Alexandrino de Carvalho. Os seis altares laterais têm retábulos em talha dourada e marmoreada, albergando esculturas de vulto. Destas, são particularmente belas e majestosas as imagens da Sagrada Família, atribuídas a José de Almeida e provenientes do desaparecido Convento dos Camilos (juntamente com São Camilo de Lellis, também atribuível a José de Almeida, Nossa Senhora da Conceição e Santa Margarida de Cortona).

Na capela colateral do lado do evangelho, do Santíssimo Sacramento, com mármores polícromos e tecto com lanternim, encontra-se uma tela de Pedro Alexandrino figurando a Última Ceia, e actualmente a imagem do Senhor dos Passos. Na do lado da epístola, no camarim do retábulo em talha dourada e marmoreada, ergue-se a grande e eloquente imagem de Cristo Crucificado – é o Senhor Jesus dos Perdões, de grande veneração e fama milagrosa, já com capela própria na igreja anterior na primeira metade de Setecentos. No registo superior do cruzeiro, quatro telas de Pedro Alexandrino representam São Tude, a Apresentação no Templo, Santa Ana com Nossa Senhora e São Miguel.

Na Capela-mor, nas suas paredes laterais, duas telas de Pedro Alexandrino em cada lado, revelam cenas da vida da padroeira: Arrependimento de Maria Madalena, Aparição de Jesus, Penitência de Maria Madalena e Calvário. O retábulo de feição neoclássica, em talha dourada e marmoreada, é rematado pela representação da Fé, do Espírito Santo e da Esperança. Fechando o camarim, que contém trono, uma tela do mesmo pintor representa a Descida do Espírito Santo. As três imagens que conserva sobre mísulas são de manifesto interesse escultórico: ao centro, Cristo Crucificado, atribuído a José de Almeida; lateralmente, Santa Maria Madalena e Santa Marta, atribuídas a Machado de Castro, que foi membro da Irmandade do Santíssimo Sacramento desta igreja. Esta Irmandade foi uma das primeiras fundadas em Lisboa com esta invocação e a primeira a usar opas vermelhas, veste depois disseminada como própria das irmandades eucarísticas.

No coro conserva-se um órgão de Machado e Cerveira, proveniente do Convento de Santo António dos Capuchos, e lambris de azulejos historiados, que, uma vez mais, constituem um elemento intrigante, nesta igreja em que o azulejo está ausente.

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