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Ministros Extraordinários da Comunhão

[A Eucaristia é “fonte e centro de toda a vida cristã”[1], de tal forma que se pode afirmar que “a Igreja vive da Eucaristia”.[2] Neste sentido, o serviço litúrgico dos ministros extraordinários da comunhão deve ser entendido como expressão do cuidado pastoral para promover a devoção ao mistério eucarístico.

 

As normas que aqui se apresentam, para serem seguidas na Diocese de Leiria-Fátima, têm por base e pressupõem as orientações de diversos documentos da Igreja Católica.[3]

Os ministros extraordinários da comunhão exercem o seu ministério enquanto:

  1. a) cristãos que, pelo seu batismo e confirmação, participam no sacerdócio comum dos fiéis que os capacita para participar no culto da Igreja;
  2. b) membros da comunidade eclesial mandatados pelo Bispo diocesano para exercer um serviço específico nas celebrações litúrgicas da Igreja.

Trata-se de um ministério de caráter “extraordinário”, que só será exercido quando for necessário, por impedimento, ausência ou insuficiência dos ministros ordinários.

Só é concedida a nomeação de ministros extraordinários da comunhão nos casos de real necessidade pastoral:

  1. a) quando faltarem os ministros ordinários deste sacramento(bispos, presbíteros ou diáconos);
  2. b) quando os mesmos se acharem impedidos de distribuírem a sagrada comunhão, por motivo de outras ocupações do ministério pastoral, por doença, ou por idade avançada;
  3. c) quando o número dos fiéis que desejam receber a sagrada comunhão seja tão grande que obrigaria a prolongar excessivamente o tempo da celebração da Missa, ou a própria distribuição da comunhão fora da Missa.

A missão do ministro extraordinário da comunhão não é permanente, mas resulta de um mandato pelos períodos de tempo previstos nestas normas.

Os ministros extraordinários da comunhão nomeados por outras dioceses só podem exercer legitimamente o ministério nesta Diocese em situações pontuais e sempre com autorização expressa do responsável da comunidade local. Para desempenharem de forma estável e regular este serviço necessitam de se submeter ao processo de apresentação e nomeação previsto nestas normativas.

O candidato a ministro extraordinário da comunhão deve satisfazer os seguintes requisitos:

  1. a)reconhecida idoneidade cristã, fé esclarecida, adequada preparação doutrinal, comunhão eclesial e vida cristã íntegra;
  2. b)ter recebido os três sacramentos da iniciação cristã;
  3. c) ter recebido o sacramento do matrimónio, se viver em união conjugal;
  4. d) fé na presença sacramental do Senhor, sólida piedade eucarística e comunhão frequente;
  5. e) compromisso na vida pastoral da comunidade que vão servir;
  6. f)maturidade humana, honestidade reconhecida e comportamento equilibrado;
  7. g) nível cultural adequado à comunidade que vão servir;
  8. h) boa aceitação pela comunidade a que se destinam;
  9. i) ter completado os 25 anos e não ultrapassar os 70 anos de idade.

A pessoa que deixar de ter alguma das condições indicadas nas alíneas a) a h) deve deixar de exercer o serviço de ministro extraordinário da comunhão.

Os ministros extraordinários da comunhão exercem este ministério sob a responsabilidade do sacerdote responsável da comunidade que tiver pedido a sua nomeação, no âmbito da sua paróquia ou comunidade; a não ser em caso de urgência, não levem a comunhão a doentes de outra paróquia ou comunidade, sem consentimento do respetivo responsável.

Os ministros extraordinários da comunhão esforçar-se-ão por desempenhar bem, com dignidade e nobreza, o seu ministério, quer no serviço à comunidade celebrante, quer aos doentes ou ausentes.

Quando for necessário, exercem o seu ministério nas seguintes situações:

  1. a) distribuição da sagrada comunhão na Missa;
  2. b) distribuição da sagrada comunhão aos doentes, em suas casas;
  3. c) distribuição da sagrada comunhão fora da Missa, na igreja;
  4. d) exposição do Santíssimo Sacramento para adoração, não lhes sendo permitido em ocasião alguma dar a bênção com o Santíssimo;
  5. e) em caso excecional, animar a assembleia dominical na ausência de presbítero, tendo presente que o exercício regular deste ministério carece de expressa nomeação do Bispo diocesano e não se confunde com a nomeação para ministro extraordinário da comunhão.

Aos ministros extraordinários da comunhão, no exercício do seu ministério, não se exige nenhum traje especial, mas devem vestir com o decoro que convém à missão que desempenham.

[1]Concílio Vaticano II, Constituição dogmática Lumen Gentium, n. 11.

[2]João Paulo II, Ecclesia De Eucharistia, n. 1.

[3]Sagrada Congregação da Disciplina dos Sacramentos, Instrução Immensae Caritatis, de 29.01.1973; Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum, de 25.03.2004; Ritual Romano – Sagrada Comunhão e culto do Mistério eucarístico fora da Missa, Segunda edição, CEP – Gráfica de Coimbra, 1995; Conselho Pontifício para os Leigos, Instrução acerca de algumas questões sobre a colaboração dos fiéis leigos no sagrado ministério dos sacerdotes, 15.089.1997, Conferência Episcopal Portuguesa, Ritual do Ministro Extraordinário da Comunhão, Terceira edição, SNL, 1998; CIC 230 §3 e 910 §2.

[4]Nomeação dos ministros extraordinários da comunhão, in: Conferência Episcopal Portuguesa, Ritual do Ministro Extraordinário da Comunhão, Apêndice. ]