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Conservar o Património

São Nicolau

 

A Igreja Paroquial

São Nicolau encontra-se ao serviço da missão de ser a presença da Igreja na Baixa de Lisboa. Na realização da sua missão, nenhuma das dimensões da pessoa humana devem estar ausente, desde o amor ao próximo traduzido na vida e na obra social até à fruição e transmissão das riquezas do nosso património cultural.

 

O Arquivo histórico

A documentação produzida, recebida e guardada pela Paróquia de S. Nicolau desde o século XVII até ao século XXI, e que constitui actualmente o seu arquivo paroquial, foi alvo de um projeto de recuperação e organização empreendido pela paróquia de S. Nicolau, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, com a parceria do CEHR (Centro de Estudos de História Religiosa), com a colaboração do Arquivo da Santa Casa da Misericórdia, execução da empresa de conservação preventiva e restauro, Ph Neutro, e com a participação de vários voluntários que se juntaram a esta iniciativa.

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Projecto de Recuperação, Organização e Difusão do Arquivo Histórico da Paróquia de São Nicolau

A documentação produzida, recebida e guardada pela Paróquia de São Nicolau desde o século XVII até ao século XXI, e que constitui actualmente o seu arquivo paroquial, está a ser alvo de um projecto de recuperação e organização empreendido pela Paróquia de São Nicolau, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, com a parceria do Centro de Estudos de História Religiosa da UCP e com a colaboração do Arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O projecto é orientado superiomente por uma equipa técnica de voluntários da Paróquia e a sua execução está a cargo da empresa de conservação preventiva e restauro Ph Neutro, com a colaboração e participação de diversos voluntários.

A execução do projecto iniciou-se em Julho de 2016, tendo-se realizado a desinfestação de todo o espólio existente em arquivo. No início de Setembro de 2016, iniciou-se a descrição arquivística e a informatização dos dados.  Esta intervenção, ainda em curso, decorrerá até ao final de Março de 2017. O âmbito de tratamento está restringido a uma parte do acervo, o fundo da Irmandade do Santissimo Sacramento e Nossa Senhora da Caridade de São Nicolau e o fundo da Irmandade de Nossa Senhora da Oliveira.

Os trabalhos realizados contemplaram o seu tratamento arquivistico, com a respectiva organização, análise, descrição documental e classificação em base de dados, bem como a intervenção de conservação preventiva do acervo em questão, nomeadamente, a higienização da documentação e o seu reacondicionamento em capilhas de papel acid-free, tendo em vista a sua preservação.

 

 

 

Da análise da documentação, têm emergido testemunhos de extraordinário interesse cultural e histórico, transversais a várias áreas do saber, desde a religião à medicina, da arquitectura ao ensino. São testemunhos de quatro séculos de história, de culto, piedade e devoção, de caridade e assistência efectiva aos muitos desafortunados, de transformações, calamidades, crises sociais e económicas, justificando amplamente o seu tratamento e o alargamento do mesmo, num futuro próximo, aos fundos do arquivo da Paróquia de São Nicolau, da Colegiada de São Nicolau, da Irmandade de São Miguel e Almas, e da Igreja Paroquial de São Julião.

 

Exemplar manuscrito do “Compromisso da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Igreja de São Nicolau da cidade de Lisboa”, aprovado pela “Junta grande” da Irmandade a 10 de abril de 1768. Cota original: APSN-SM1AComp.Irm.SS.

 

Deste projecto resultará um instrumento de acesso (inventário) à documentação/informação, que será disponibilizado online trazendo para o domínio público milhares de registos, com informação relevante sobre a história destas organizações religiosas, o seu papel e impacto na sociedade e na história nacional ao longo da sua actividade.

Documentos do Arquivo da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Caridade da freguesia de São Nicolau de Lisboa (AISSN)

Patentes de admissão à Irmandade, assinadas pelo juiz, escrivão e procurador da Mesa, e selo da Irmandade. (1864) – Cota: AISSN-Cx029-001

Insígnia do Santíssimo Sacramento. (1864) – Cota: AISSN-Cx029-001

Vista frontal e lateral do edifício da Igreja realizada no âmbito das obras de revestimento a azulejo das frentes laterais da Igreja de São Nicolau. (1905-03-15-1911-06-30) – Cota: AISSN-Cx034-007

Relação de festividades realizadas na paróquia de São Nicolau. (séc. XIX) – Cota: AISSN-CX046-002

“Quadro de honra” da escola de instrução primária da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Caridade de São Nicolau. [1914] Cota: AISSN/Cx167/006

Ilustração com vários motivos, assinada por “Reinaud” para utilização na escola de instrução primária da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Caridade de São Nicolau. (1914) – Cota: AISSN/Cx167/006

Certidão das capelas instituídas por El-Rei D. Afonso IV e sua mulher Dona Brites, na Sé de Lisboa, e petição de redução dos encargos pios. (1802-05-24) –  Cota: AISSN/Cx005/030A-4

Alvará régio concedendo mercê à Irmandade do Santíssimo Sacramento da freguesia de São Nicolau para administrar a marinha de sal de Setúbal, designada o Gaifão, sita no Faralhão, da capela que instituiu Manuel Álvares de Castro e sua mulher. (1817-09-30-1818-08-01) – Cota: AISSN/Cx015/018

Cópia da inscrição latina, e sua tradução, esculpida na pedra principal lançada no alicerce da construção da nova Igreja de S. Nicolau, iniciada em 1 de Setembro de 1776, a qual foi benzida pelo Arcebispo de Lacedemónia, D. António Bonifácio Coelho, tendo por ministros assistentes o Prior da Patriarcal e da Paroquial Igreja de Santa Maria Madalena, João Álvares de Carvalho, e o Prior de São Julião, António José Palma. (1776-09-01) – Cota: AISSN/Cx033/003

Plantas do “Projeto de ampliação de um andar que a Irmandade de S. Nicolau deseja mandar fazer no seu edifício, situado entre a Rua da Prata e Rua dos Douradores com frente para a Rua de S. Nicolau”. (séc. XIX) – Cota: AISSN/Cx167/002

Desenho de pormenor de grade para escada (escala de 0.05 metro). (séc. XIX) –  Cota: AISSN/Cx167/003

Documentos do Arquivo da Irmandade da Nossa Senhora da Oliveira (ACNO)

Projecto de pintura do tecto da capela-mor da Ermida de S. Julião. (séc. XVIII)- Cota: ACNO/Cx01/047

Breve nota sobre a história da Ermida da Nossa Senhora da Oliveira: mandada erigir por Pedro Esteves e sua mulher, Clara Geraldes, naturais de Guimarães. Passou ao domínio dos lava-peixes da ribeira, os quais sendo pobres, e não podendo reedificar a Ermida que se havia arruinado, renunciaram a todo o domínio. Depois do ano de 1646, o prior e beneficiados de S. Julião venderam o chão da Ermida aos confeiteiros por 70.000 réis para a reedificarem e com direito de poderem apresentar capelão, o qual presidiria a todas as funções que se fizessem na dita Ermida, obrigando-se os confeiteiros a dar à Igreja, como foro ou censo anual, seis mil réis e das festas a Nossa Senhora da Oliveira, mil e duzentos réis, a missa só seis tostões, entrando o capelão igualmente com o dito prior e beneficiados em todas as ofertas das festas que pertencem à Ermida, a qual foi totalmente destruída pelo incêndio, perecendo nela o seu capelão-mor. (1756-07-14) – Cota: ACNO/Cx05/007

Livro de registo onde se assentam todos os papéis importantes, como regimentos, sentenças e outros, relativos à Irmandade de Nossa Senhora da Oliveira, entre os quais destacamos o documento referente à reedificação da Ermida da citada Irmandade em 1762 após a sua destruição no terramoto de 1755, sita na Rua Nova, por cima do Chafariz dos Cavalos, assim denominado por o dito ter por cima dois cavalos de bronze, os quais os reis Felipes de Espanha, no tempo em que estiveram em posse dele, “por falta de El rei D. Sebastião”, os mandaram tirar e os levaram para Espanha, mas manteve-se a designação. O chafariz tinha água através de um “profundíssimo cano real que nesse tempo se fez que pega do mar e vem pelo Terreiro do Paço, pela Rua Augusta, até ao Rossio”, pelo que o rei mandava que se conservasse, mas a água desapareceu e não foi reconstruído, e requerendo a Mesa da Irmandade ao ministro do Bairro e ao regedor, foi-lhe dado o chão para se fazer a Ermida, visto ter-se sumido a água do dito chafariz. Ao abrir-se os alicerces foram encontradas duas sepulturas, a saber, de Pêro Esteves, natural de Guimarães, e de sua esposa, Clara Geraldes, também natural de Guimarães. Aí se encontram também os respectivos brasões de armas e a data – 1300. (1785) – Cota: ACNO/Liv83/23

Livro de registo das despesas da Irmandade de Nossa Senhora da Oliveira (sobretudo as efectuadas pelos procuradores por ocasião da Festa do Glorioso S. Marçal) e da eleição dos oficiais que haviam de servir a S. Marçal no ano vindouro. A particularidade deste exemplar reside no facto de ser um “sobrevivente” ao terramoto de 1755, como atestam as marcas deixadas pelo incêndio que se seguiu ao terramoto e a nota posterior deixada no final do livro e que transcrevemos: “Este livro o se achar roto e queimado foi o seu motivo pelo terramoto tão lamentável em dia de todos os santos de 1755 depois se fez esta lembrança”. (1696-1740) – Cota: ACNO/Liv102/46

O livro contém uma lista alfabética dos mestres do ofício de confeiteiro e o número do fólio onde os registos desses mestres estão assentes. Destes consta o nome, a data da compra, o número de arrobas de amêndoa, o preço a que estava na altura e o valor a pagar. Para além do interesse do seu teor, destacamos ainda o cuidado e a beleza das ilustrações dos termos de abertura e de encerramento do dito livro. (1762-1779) – Cota: ACNO/Liv101/64

Senhora da Oliveira

 

A Igreja

Situada em pleno coração do comércio e do trabalho, como o indica a rua dita dos Mercadores, a ermida foi sempre motivo de particular devoção e afeição do povo, o que levou, os mesários das diversas confrarias nela sediadas, uma vez que ficou arrasada pelo terramoto de 1755, a cuidar da sua rápida reconstrução.

 

 

Senhora da Vitória

 

A Igreja

A igreja é de planta longitudinal composta por justaposição de dois rectângulos a nave e a capela mor. O alçado principal a sul, organiza-se num só corpo  delimitado por cunhais de cantaria.  Servida por lanço de escadas, apresenta uma única porta ao centro a que se sobrepõe um janelão. A frontaria é rematada por frontão triangular com óculo e sobrepujada de cruz.

  

Santa Maria Madalena

 

A Igreja Paroquial

A Igreja da Madalena é provavelmente anterior a 1164 e o lugar que hoje ocupa é o mesmo que ocupava desde a sua origem, a pouca distância da cerca moura. Foi reedificada várias vezes: no século XIII (antes de 1262), no século XIV devido ao incêndio que em 1372, resultou do cerco que os castelhanos fizeram à cidade, no século XVI e no fim do século XVII, em 1692. Era considerada como uma das mais ricas igrejas de Lisboa: possuía, por exemplo, um trono do Santíssimo em prata, um excelente retábulo em talha dourada na capela-mor e pinturas de grande qualidade.

 

 

Senhora da Conceição

 

A Igreja Paroquial

A Igreja da Nossa Senhora da Conceição Velha situa-se no coração de Lisboa, na Rua da Alfândega, a nascente da Praça do Comércio. Aqui se encontrava a antiga Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia de Lisboa, mandada construir pelo rei D. Manuel I, em 1510, para ser a sede da Santa Casa Misericórdia de Lisboa. Concluída em 1534, no reinado de D. João III, esta igreja foi a primeira casa própria da Irmandade da Misericórdia de Lisboa, durante mais de dois séculos. Com traça do arquiteto João de Castilho, era o segundo maior templo da Lisboa manuelina, depois do Mosteiro dos Jerónimos.

A 1 de novembro de 1755, a crónica do edifício fica tragicamente marcada pelo Grande Terramoto de Lisboa, que destruiu parcialmente a sua estrutura. A Irmandade da Misericórdia foi instalada mais tarde na Igreja de São Roque.

Sobre o que restou da Igreja da Misericórdia nasce a atual Igreja da Conceição Velha. Do edifício original, conseguem salvar-se o baixo-relevo de Nossa Senhora da Misericórdia; a capela do Espírito Santo ou do Santíssimo Sacramento; e o portal manuelino, com a Virgem da Misericórdia, de manto aberto, segurado por dois anjos, a abrigar D. Manuel I, D. Leonor e o Papa Leão X, testemunho da história partilhada da Igreja com a Misericórdia de Lisboa.

A Igreja da Conceição Velha é Monumento Nacional desde 1910, constituindo um bem patrimonial de excecional importância histórico-artística, para a Santa Casa, para Lisboa e para o País.