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Que Música para a Igreja do nosso tempo?

Um testemunho do Cardeal Ratzinger (1985)

«Pensemos primeiro no tipo dionisíaco de religião e sua música, que Platão examinou a partir do seu ponto de vista religioso e filosófico. Em não poucas formas de religião a música é dirigida ao delírio, ao êxtase. A libertação da natureza humana que a fome de infinito, própria do homem, procura, deve ser atingida por insânia sacra, delírio do ritmo e dos instrumentos. Tal Música destrói os limites da individualidade e da personalidade; o homem nela se liberta do peso da consciência. Música passa a ser êxtase, libertação do Ego, união com o universo.

O retorno profanado deste tipo encontramos hoje na Música Rock e Pop, cujos festivais são um anti-culto na mesma direcção: prazer na destruição, queda de barreiras do dia a dia, ilusão de redenção na libertação do Ego, no êxtase furioso do ruído e da massa. Trata-se de práticas de redenção, cuja forma é semelhante aos tóxicos e fundamentalmente oposta à Fé cristã da Redenção. Assim, é consequência lógica que aumentem nesta área, hoje, cada vez mais cultos satânicos e músicas satânicas, cujo poder perigoso na intencionada destruição e dissolução da pessoa não é devidamente considerado.

O debate que Platão instituiu entre música dionisíaca e apolínea não é nosso, porque Apolo não é Cristo. Mas a pergunta que ele levantou interessa-nos de forma muito significativa. A música tornou-se, hoje, uma forma que, uma geração antes, nem teríamos podido imaginar, um veículo decisivo de uma anti-religião e um palco de divisão dos espíritos. Porque a Música Rock procura redenção no caminho da libertação da personalidade e da sua responsabilidade, enquadra-se, de um lado, exactamente nas ideias anárquicas de liberdade que hoje dominam no Ocidente mais abertamente do que no Oriente, mas justamente por isso é diametralmente oposta à ideia cristã sobre Redenção e Liberdade; é a sua verdadeira contradição. Não por motivos estéticos, não por insistência conservadora, não por imobilidade histórica, mas por uma questão de princípio deve a Música deste tipo ser excluída da Igreja.

Poderíamos continuar a concretizar a nossa pergunta, analisando a base antropológica dos variados tipos de Música. Há Música de agitação, que anima o homem para diferentes finalidades colectivas. Há Música sensual, que leva o homem ao erótico e à procura de outras satisfações sensuais. Há Música só para entretenimento, que não pretende dizer nada, mas deseja apenas interromper o peso do silêncio. Há música racionalística, na qual os sons apenas servem a construções racionais, mas não acontece nenhuma penetração verdadeira de espíritos e sentidos. Certas canções inconsistentes construídas sobre textos catequéticos, certas canções modernas construídas em Comissões poderiam ser aqui mencionadas.

A Música que corresponde ao culto divino d’Aquele que se fez homem e foi elevado na cruz, vive de uma síntese maior, mais extensa, de espírito, intuição e som perceptível. Pode-se dizer que a Música ocidental, do Canto Gregoriano passando pela Música das Catedrais e da grande Polifonia, pela Música da Renascença e do Barroco até Bruckner e além, vem da riqueza interior desta síntese e desenvolveu uma plêiade de possibilidades. Esta grandeza só existe aqui, porque pôde crescer unicamente do fundamento antropológico que uniu o espiritual e o profano numa última união humana. E ela se dissolve na medida em que desaparece esta antropologia. A grandeza desta Música é para mim a verificação mais imediata e evidente da imagem cristã do homem e da Fé cristã da Redenção que nos oferece a história. Quem realmente é tocado por ela, sabe, no seu íntimo, que a Fé é verdadeira, mesmo que necessite ainda de muitos passos para realizar esta compreensão com inteligência e vontade».

O Coro na Liturgia
  • O Coro litúrgico desempenha na celebração um ministério litúrgico. Não é o único, mas que se deve harmonizar com os restantes ministérios e serviços e com a participação da assembleia.
  • Compete ao Coro interpretar as partes que lhe pertencem e promover a participação dos fiéis no canto. O seu lugar na Igreja há-de ter em conta a natureza do seu ministério: faz parte da assembleia; realiza uma função própria. Estará, em princípio, junto da assembleia a quem sustenta e estimula com o seu canto, mas de tal forma que o exercício da sua função e a participação plena (nomeadamente sacramental) se torne possível e fácil.
  • O Coro impede a participação da assembleia? Com o Coro, a assembleia limita-se passivamente a ouvir. Deve acabar o Coro? Mas, depois, o que fica?
  • O Coro deve nascer da assembleia. O Coro nunca deixa de ser assembleia, mas é apenas uma parte, devendo ser mais preparada e formada. O caminho normal é que o coro litúrgico surja da assembleia como fruto do crescimento da sua participação.
  • Pensar que todos os problemas da participação da assembleia se resolvem com a criação de um coro é ter uma visão errada dos problemas e das soluções. Nessa perspectiva, o coro irá, normalmente, dificultar a referida participação da assembleia. Mas, que dizer de um coro litúrgico que se formasse à margem da própria celebração???
  • O Coro é parte integrante da assembleia. Isso deve manifestar-se em tudo, desde o lugar que ocupa até às acções que realiza. A assembleia, muito embora reconhecendo a função específica do coro, há-de sentir que ele é uma parte de si mesma, que está na celebração por sua causa.
  • A assembleia estimará o coro, não porque ele a substitui no canto, não porque ele canta para ela, mas porque se sente apoiada e estimulada, porque experimenta que a sua participação no canto se torna mais elevada, mais esplendorosa, mais significativa e mais efectiva.
  • O Coro existe por causa da assembleia, está ao serviço da assembleia. Ele sabe renunciar a muitas coisas a que tem direito (ao aplauso, à exibição, etc). o serviço que procura é honroso e ao mesmo tempo humilde. No exercício do seu ministério, o coro canta juntamente com a assembleia, dialoga com a assembleia e executa a solo.
  • O Coro é pedagogo da assembleia. Este serviço à assembleia deve fundamentar-se no exemplo que o coro deve dar à assembleia: exemplo de vida cristã (cristãos comprometidos), exemplo de participação litúrgica (fazer do que cantam um testemunho público de fé; participação na Eucaristia; comunhão sacramental), exemplo do canto litúrgico (deve cantar exclusivamente música litúrgica, cantar bem, afinado, com o ritmo e a execução perfeita).
  • O Coro é um grupo exigente. O Coro exige espírito de compromisso (ir aos ensaios), capacidade de relação interpessoal (nada de mexericos, boa relação com os outros coros litúrgicos, troca de experiências, ajuda mútua), sentido dos outros, abertura, ou seja, qualidades humanas de carácter e de diálogo (eliminar os exibicionistas).
  • A finalidade do Coro é o serviço da liturgia, porque o coro e os que o compõem desempenham um ministério litúrgico. Torna-se evidente que quem dele faz parte deve ser cristão de fé vivida, praticada e testemunhada. O gosto pela música ou o interesse em fazer parte de um grupo coral não é motivo suficiente para se pertencer a um coro litúrgico.
Critérios para a escolha de cânticos para a Celebração Litúrgica
  • Os textos devem ser gramaticalmente correctos, medianamente compreensíveis, inspirados na Bíblia ou nas fontes litúrgicas e estar de acordo com a doutrina católica;
  • A música deve ter sido criada para o culto divino e possuir as qualidades de santidade e de perfeição de forma;
  • Os cânticos (texto e música) devem estar em consonância com o colorido próprio de cada tempo ou festa litúrgica;
  • Os cânticos (texto e música) devem moldar-se ao modo de ser de cada rito ou situação ritual;
  • Os cânticos (texto e música) devem ser adequados às possibilidades de quem os executa, particularmente das assembleias.
Organistas

Pessoa (homem ou mulher) que, na igreja, assegura o toque do órgão, exercendo um ministério litúrgico de grande utilidade para a participação da assembleia (nomeadamente pelo canto) e para a dignificação das celebrações. Neste momento as Paróquias de S. Nicolau e Santa Maria Madalena contam com 10 colaboradores no ministério da animação como organistas.