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No passado Domingo, 5 de Novembro, a Paróquia de São Nicolau recebeu a visita do Cardeal Raymond Leo Burke, que se encontra em Lisboa para apresentar o seu novo livro “O Amor Divino Incarnado”.

O Cardeal celebrou a Santa Missa às 11h30, com a presença das Irmandades da Paróquia e de largas dezenas de fiéis, tendo depois almoçado com um grupo de jovens e de famílias da nossa comunidade. A sua visita foi ocasião para aprendermos mais sobre o vasto património espiritual da Santa Igreja e o modo como ele pode sustentar o nosso caminho de crescimento na Fé.

Na próxima Terça-feira, 7 de Novembro, pelas 18h30, o Cardeal apresenta o seu livro “O Amor Divino Incarnado” no Hotel Dom Pedro, junto ao Centro Comercial das Amoreiras.

Homilia do Cardeal Raymond Leo Burke na Santa Missa do passado dia 5 de novembro na Igreja de São Nicolau

V.: Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

(R. : Para sempre seja louvado, com Sua Mãe Maria Santíssima.)

Estou muitíssimo reconhecido por poder oferecer a Santa Missa nesta histórica e belíssima igreja do Patriarcado Latino de Lisboa. Presto aqui o meu agradecimento a Sua Eminência, o Senhor Cardeal Manuel José Macário do Nascimento Clemente, Patriarca de Lisboa, pelo acolhimento caloroso que me reservou no Patriarcado, e agradeço ainda a Sua Reverendíssima, o Senhor Padre Mário Rui Leal Pedras, prior desta paróquia, por me receber tão generosamente para que possa aqui celebrar a Santa Missa esta manhã, Santa Missa que ofereço pela intenção da Igreja em Portugal.

Hoje, o Evangelho recorda-nos de modo vigoroso que o sagrado ministério dos Bispos e dos sacerdotes é uma participação do ministério de Cristo. Nosso Senhor usa uma hipérbole para nos ensinar que, se o ministério dos que são nossos pastores não fluir da santidade de Deus, torna-se hipócrita e acaba por estar ao serviço do próprio ministro. Um tal ministério deixa o rebanho espoliado daquela caridade em vista da qual Cristo consagrou os Apóstolos e estes os seus sucessores, numa linha ininterrupta desde a primeira ordenação na última Ceia.

O Profeta Malaquias lembrava aos sacerdotes do Antigo Testamento que a sua infidelidade, a sua falha na tentativa de serem expressão da santidade de Deus, não somente os tinha levado por mau caminho, mas tinha também sido a causa do «tropeçar [de] um grande número de pessoas com o [seu] ensino»[1]. O Profeta reflecte sobre essa triste ironia de ter sido a infidelidade dos sacerdotes a transformar em maldição um ministério essencial para a santidade do povo de Deus[2]. As palavras do Profeta recordam-nos também a nós, de maneira clara e directa, que, na prática, as nossas falhas em tentar viver em comunhão com Deus, em manter a aliança com Ele, põem em perigo não apenas a nossa salvação eterna, mas também a dos demais, que assim são levados por mau caminho pelo nosso mau exemplo.

Regressando agora ao ensinamento do Evangelho, Nosso Senhor insta os Seus discípulos a, com humildade, procurarem apenas a vontade de Deus, especialmente no serviço ao próximo. Para o ilustrar, usa como que um exemplo exagerado, dizendo aos discípulos que a ninguém chamem de pai ou mestre – a não ser a Deus, como é evidente[3]. Não pretende com isto que levem à letra esta ordem, de tal modo que o discípulo sequer pudesse chamar com o título de “pai” o seu pai natural, ou com aquele de “mestre” os seus mestres legítimos. O uso dessa figura por exageração tem antes o escopo de nos fazer estar muito atentos à coerência daquilo que fazemos com o que professamos na fé.

Não é que Cristo não queira que chamemos os nossos sacerdotes de “Padre” e que tenhamos na mais alta estima o seu ministério. O que deseja, em vez disso, é que, ao chamá-los de “Padre”, reconheçamos que a sua paternidade espiritual é fruto da ordenação sacerdotal e da graça da caridade pastoral que aquela lhes conferiu, por meio do Sacramento das Sagradas Ordens. Percebemos melhor como é verdadeiro este título de “Padre” que atribuímos aos nossos sacerdotes quando eles oferecem a Santa Missa na pessoa de Cristo nossa Cabeça e Pastor, ou, mais rigorosamente, quando Cristo oferece a Santa Missa por meio dos seus corações e das suas mãos, que foram postos por inteiro ao serviço do Senhor. Com aquela Sua linguagem forte, Cristo deixa claro que o único ministério sacerdotal digno desse nome, digno do título de “Padre”, é o ministério sacerdotal que tem a sua origem em Cristo e que, em tudo, conduz os sacerdotes e a quantos ele serve para mais perto de Cristo, e a seguirem mais fielmente o Seu caminho.

Cumpre, pois, que rezemos pelos nossos Bispos e pelos nossos sacerdotes, e que, pelas nossas atitudes, palavras e actos respeitemos sempre a verdade do seu sagrado ministério, mediante o qual o ministério Apostólico instituído por Cristo chega até nós numa linha de sucessão ininterrupta. No modo de nos relacionarmos com os nossos Bispos e sacerdotes, estamos chamados a assisti-los no cumprimento das suas pesadas responsabilidades em prol de todos. Ajudamo-los a recordarem-se de que o seu ministério vem de Cristo e existe para servir um só propósito, a saber, o de conduzir os demais até Cristo e a que descubram a Sua caridade pastoral, acima de tudo, no Sacrifício Eucarístico, que só os Bispos e os sacerdotes podem oferecer. Nestes tempos tumultuosos, em que a virulenta secularização da nossa cultura também penetrou na Igreja, rezemos pois para que os nossos Bispos e os nossos sacerdotes possam ter a sabedoria e a coragem de purificar as suas vidas de tudo o que não seja de Cristo, de tudo aquilo que não nos conduz á nossa morada celestial junto d’Ele.

Cristo Sumo Sacerdote instruiu-nos por meio da Sua Santa Palavra, e agora eis que faz sacramentalmente presente para nós, como o fez pela primeira vez para os Apóstolos na última Ceia, o sacrifício que Ele ofereceu no Calvário para a nossa salvação. Ergamos pois os nossos corações até Cristo, junto com a Sua Mãe Santíssima, até ao Seu glorioso Coração perfurado, para que Ele nos possa sarar, alentar e fortalecer com a incomensurável abundância do Seu amor todo misericordioso, com o Pão Celestial que é o Seu próprio Corpo abnegadamente oferecido por nós. Enquanto erguemos até Ele os nossos corações, deponhamos também no Seu Coração, com Maria, Mãe dos Sacerdotes, os nossos Bispos e os nossos sacerdotes, para que sejam sempre mais fiéis e generosos no seu sagrado ministério em prol de todos nós.

 

Sagrado Coração de Jesus, pleno de bondade e amor, tende piedade de nós!

Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora do Santo Rosário, rogai por nós!

São Nicolau, rogai por nós!

Santos Francisco e Jacinta, rogai por nós! 

Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

 

Raymond Leo Cardeal BURKE

 

[1] Ml 2, 8.

[2] Cf. Ml 2, 2.

[3] Cf. Mt. 23, 9-10.